Protegendo a terra e a saúde
- 22 de fev. de 2017
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Não é novidade que o Brasil é um dos maiores consumidores mundiais de defensivos químicos. O que muita gente não sabe é que não se trata só de aplicar um produto para que sua lavoura dê belos e grandes frutos - cheios de veneno. O uso indiscriminado de variados produtos químicos tem um efeito em cadeia, que vai rapidamente aniquilando todas as formas de vida, tornando a terra estéril e poluindo os lençóis freáticos.
Costumo fazer esta comparação para facilitar o entendimento: é como tomar aquele remédio para dor de cabeça, que vai te dar de estômago. Ai você precisa tomar outro pra dor de estômago que vai te causar sonolência; pra ficar acordado, você toma outro remedinho excitante, que tira o seu sono. Mas você precisa dormir, não é mesmo? Então toma finalmente outro comprimido para dormir. Este ciclo destrutivo vai gerando desequilíbrios em seu corpo. Uma intoxicação, por assim dizer. O mesmo acontece na terra: aplica-se um pesticida pra matar uma praga, depois é necessário um inseticida, que demanda um fungicida. Para “limpar” o solo aplica-se então um herbicida, e finalmente um fertilizante para que a planta cresça rapidamente, sem incômodos.
Apesar de ainda sermos minoria, temos à disposição milhares de técnicas naturais para evitar o uso de químicos. São produtos de baixo custo, formulações biológicas de biofertilizantes, caldas caseiras, extratos de plantas. No início pode parecer um pouco complicado e demorado, mas confie, pois a Natureza responde se autorregulando num movimento lindo de ver.
Antes de aplicar quaisquer produtos, é necessário garantir que a terra esteja adubada e com os nutrientes necessários para estar o mais equilibrada possível. Isso vai te dar menos trabalho depois. Cheque também os níveis de irrigação, se o solo não está encharcado ou seco demais. Diversifique as culturas e faça uma consorciação, plantando espécies companheiras, que se ajudam, e pratique a adubação verde, plantando espécies que fornecem determinados componentes ao solo.
Existem muitas (muitas!) receitas de defensivos ecológicos. Dependendo do diagnóstico da sua produção, vale dar um google para procurar soluções específicas. Damos aqui algumas receitas básicas, que valem tanto para os vasos da sua varanda como para uma grande plantação.
Farinha de Trigo com Detergente
Dissolver 1kg de farinha de trigo em 20 litros de água, junto com 500 ml (meio litro) de detergente neutro.
Pode-se usar na hora. Aplicar de manhã em cobertura total nas folhas. O seu emprego é favorável em dias quentes e secos, com sol. Mais tarde, as folhas secando com o sol, formam uma camada que envolve as pragas e cai com o vento.
Indicações: pode servir para combater a mosca branca, ácaros, pulgões e lagartas na horta, por exemplo, nos pés de tomates.
Pimenta Malagueta
Bater 500 g de pimenta vermelha (malagueta) em um liquidificador com 2 litros de água até a maceração total. Coar o preparado e misturar com 5 colheres (sopa) de sabão de coco em pó, acrescentando então mais 2 litros de água (dá 4 litros no total).
Indicações: pulverizar sobre as plantas atacadas por pulgões, vaquinhas, grilos e lagartas. Fazer a colheita depois de pelo menos 12 dias, para evitar que os frutos fiquem com cheiro forte.
Folha do Nim (Neem)
Misturar 250g de folhas e ramos verdes picados com 20 litros de água. Deixar repousar as folhas na água de um dia para outro. Coar e pulverizar.
Indicações: O nim serve de repelente para uma grande variedade de insetos, inclusive lagarta, besouro, percevejo (Maria-fedida), pulgão, barbeiro, mosca branca, cochonilha, mosca do chifre, gafanhoto, nematóide, grilo, barata.
Fumo
Misturar 250g de fumo com 20 litros de água. Deixar de molho pelo menos 24h horas.
Indicações: o fumo é excelente inseticida tendo ação de contato contra pulgões, vaquinhas, cochonilhas, lagartas e outras pragas.
A colheita do vegetal tratado deve ser feita, somente 3 dias após a aplicação do fumo. Não deve ser empregado o fumo em plantas da família da batata ou tomate (Solanaceae).
Alho
Dissolver um pedaço de sabão de coco do tamanho de um polegar (50 g) em 4 litros de água. Juntar 2 cabeças picadas de alho e 4 colheres de pimenta vermelha picada. Coar com pano fino e aplicar.
Indicações: O alho é um bom repelente de insetos, bactérias, fungos, nematóides e serve de inibidor de digestão de insetos.
Dentre as plantas que servem para o manejo ecológico, está o sorgo granífero. No caso do sorgo, suas panículas em flor favorecem o abrigo e a reprodução de insetos e ácaros benéficos, como o percevejo, predador de lagartas, ácaros e trips da cebola.
Alecrim repele borboleta da couve e moscas da cenoura; Hortelã repele formigas, ratos e borboleta da couve; Mastruz repele pulgões e outros insetos; Urtiga repele percevejo do tomate; outras plantas como a erva-cidreira e o girassol são também indicadas para repelir pragas dos cultivos; o gergelim é outra planta útil, que é cortado e levado pelas saúvas (formigas cortadeiras), intoxicando o fungo do qual elas se alimentam.
Veja abaixo a tabela de plantas companheiras:
































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